Musicais/Sexta feira 28 de Outubro2022


CD "Alentejo Ensemble", do Rancho de Cantadores de Paris (França).  


Após três anos de preparação, é com enorme prazer que anunciamos que o CD digibook "Alentejo ensemble" já está à venda. Para comemorar o sexto aniversário do Cante Alentejano como Património Cultural e Imaterial da Humanidade pela Unesco, o grupo internacional Rancho de Cantadores de Paris edita um álbum de introdução ao Cante Alentejano contemporâneo. Este CD conta com a participação de 16 artistas e grupos emblemáticos, demonstrando a pluralidade de uma tradição que vive tanto das referências do passado como do sincretismo cultural e artístico do presente. Introduzindo o Cante em França, os textos das 160 páginas do digibook foram redigidos em Português por Carlos Balbino, e traduzidos em Francês por Marie Odile Thiry-Duarte. As ilustrações e o desenho gráfico foram elaborados por Anna Turtsina, e as fotografias por Ana Baião. O álbum contém igualmente com os testemunhos dos coordenadores Mariana Cristina (Ceifeiras de Pias) e Filipe Pratas (Ganhões de Castro Verde). O prefácio é assinado pela Prof. Dra. Salwa El-Shawan Castelo-Branco. Estamos eternamente gratos à Câmara Municipal e à Casa do Cante de Serpa, à Direcção Regional da Cultura do Alentejo (Ministério da Cultura de Portugal), e ao Instituto Camões (Embaixada de Portugal em Paris). Um grande obrigado aos doadores que contribuiram nas duas campanhas de crowdfunding em 2019 e 2020. O disco é inteiramente produzido pela Compagnie des Rêves Lucides, associação francesa de interesse geral.

Musicais/Sexta feira 28 de Outubro2022

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ENTREVISTA: "Mistura" é o novo álbum de Katia Guerreiro e é editado a 18 de novembro



Lisboa, 25 out 2022 (Lusa) - O novo álbum da fadista Katia Guerreiro, "Mistura", é editado em formato de livro, a 18 de novembro, um projeto que junta três produtores musicais, José Mário Branco, Tiago Bettencourt e Pedro de Castro.

"Assumimos de uma forma muito tranquila", a reunião dos três produtores que assinam o álbum, disse a fadista em entrevista à agência Lusa, recordando que José Mário Branco, que morreu em novembro de 2019, tinha produzido o seu anterior álbum, "Sempre".

"Achei que estes temas ["Xaile Negro" e "Tempo de Viver"] que fiz com o José Mário tinham de ser recuperados, era o que tínhamos previsto, pois íamos continuar a trabalhar juntos. O Pedro de Castro é o meu braço direito e meu diretor musical, e recuperámos o Tiago Bettencourt que foi o primeiro produtor musical que eu tive, foi o primeiro a dar-me a mão".

"Junto num disco só, três pessoas que tão importantes para mim, nestes últimos oito anos, desde 2014".

Tiago Bettencourt produziu os temas "Pergunta Atrevida", "Já Não Me Perco no Mar" e "Que Passo Queres dar".

Pedro de Castro, por seu turno, produziu os restantes sete: "Mistura", "Lisboa Perdeu a Voz", "Vida de Fado", "Esqueci-me da Alegria", "Cais da Saudade", "O Santo António da Aldeia" e "Espelho Teu"

A criadora de "Segredos" (Paulo Valentim) disse que em 2014 "estava a perder um bocadinho a mão".

"Estava a ficar deslumbrada com a voz, porque a minha voz estava a amadurecer e precisava de recuperar a minha origem no canto, no fado. O Tiago foi o primeiro a ajudar-me a fazer isso. Depois [foi] com o Pedro ao meu lado, e o José Mário. E eu achei que tinha de juntar estas três almas maravilhosas num disco só".

O álbum será comercializado em formato de livro, com um "QR Code" que dá acesso à gravação, e várias notas da fadista sobre os temas, além da identificação dos autores e acompanhadores.

"Mistura" abre o álbum e dá o título ao projeto, com música de Pedro de Castro, denominada "Fado Alma!. "Mistura" é um poema de Maria Luísa Baptista, falecida em 2016, e que desde sempre faz parte do repertório da fadista com temas como "Asas", "Muda tudo. Até o mundo" e "Tenho uma saia rodada". Neste disco assina ainda "Esqueci-me da Alegria", poema musicado por Pedro de Castro (através do Fado Maria Luísa).

O álbum totaliza 12 temas, entre eles "Espelho Teu", com letra e música de Rita Redshoes, "Cais da Saudade", de Pedro Rapoula, com música de Pedro de Castro, "Não me Perco no Mar", letra e música de Hélder Moutinho, "Vida de Fado", de João Monge e Zeca Medeiros, e "Que Passo Queres Dar", letra e música de Tiago Bettencourt.

À Lusa, Katia Guerreiro reconheceu que, entre os temas escolhidos, perpassa um certa crítica aos caminhos que o género fado tem tomado, nomeadamente através de "Lisboa perdeu a voz", de Manuela de Freitas, musicado por Tiago Curado, e "Pergunta Atrevida", de Carlos Mendonça (1939-2016), musicado por Pedro de Castro (Fado das Biscoiteiras).

A fadista realçou que o poema de Carlos Mendonça foi escrito em 1990, e que lhe foi entregue pelo autor no início deste século. "Já nessa altura tinha esse sentido crítico aos caminhos do fado".

O poema de Carlos Mendonça questiona "se não há tempos de outrora/ por serem tempos passados", porque se continua a cantar "aiis à Mouraria", e se "fala de um Bairro Alto/ atrevido e avinhado/ mas lá até o basalto/ anda mais sofisticado".

No poema de Manuela de Freitas, Katia Guerreiro canta que "já nem se ouve o fadista", entre "bateria, acordeão/, projeções [e] fogo de vista", e daí que o "fado se fosse embora", mas talvez "esteja escondido nalguma viela escura".

Katia Guerreiro defendeu "que toda a música sofre evoluções, naturalmente. A própria Amália [Rodrigues] foi um grande motor de evolução no fado", mas ressalvou: "Quando falamos de fado não nos podemos esquecer que é uma identidade cultural e, a partir do momento que o fado começa a misturar-se, ou a apresentar-se exclusivamente com registos que não são da sua origem, a determinada altura começamos a ficar um bocadinho desanimados e preocupados com o futuro que o fado possa começar a levar".

A fadista referiu "um conjunto de artistas emergentes que, na tentativa de chegar ao êxito, e ao reconhecimento de alguns nomes maiores do fado da atualidade, no fundo acabaram por adotar outros registos, outras sonoridades, outras formas de se apresentar. Essas novas gerações vão muito arrastando-se por esse caminho. Depois, a determinada altura, não temos quase ninguém a representar como conhecemos o fado de origem. E isto não significa de todo não se ser moderno".

"Defender o fado não significa não se ser moderno ou não aceitar a evolução", enfatizou a fadista, citando este novo trabalho.

"As composições que apresentamos neste disco, mesmo as de caráter mais tradicional - e há novos fados tradicionais neste disco -, são compostas, não da forma simplista como eram compostos há 100 ou 150 anos, mas têm uma estrutura e estética musicais que são muito contemporâneas e muito diferentes e evoluídas em relação àquilo que o fado era. E há as escolhas poéticas que têm naturalmente a ver com a atualidade, uma poesia mais contemporânea e mais intemporal que não sejam as historiazinhas de bairro - isso já se abandonou há algum tempo".

Referindo-se a "Lisboa Abandonou a Voz", Katia Guerreiro afirma que é "uma resposta a um outro tema", "O Fado Fugiu de Casa" (2019), que gravou com os Anaquim, e que mostrou ao músico José Mário Branco (1942-2019) e à poetisa Manuela de Freitas, que, com "aquela sua espontaneidade", escreveu este poema.

"Esta é a minha resposta aos Anaquim", declarou a fadista.

Da lista dos cerca de 200 fados tradicionais existente, Katia Guerreira canta o Fado Mocita dos Cacaróis, de Alfredo Marceneiro, num poema de Manuela de Freitas, "Xaile Negro".

A fadista reconheceu que este álbum confirma a sua identidade artística.

"Há uma coerência no caminho. Posso não provocar surpresa, a não ser na forma como escolho os temas poéticos para cantar, naturalmente, e na forma como eu visto as coisas, sendo que mantenho o meu cunho muito fadista, e mantenho-me muito fiel às minhas raízes enquanto artista".

Do alinhamento faz parte "O Santo António da Aldeia", um tema datado de 1953, "ao jeito de folclore", de autoria do "poeta popular" Feliciano da Silva, de 92 anos, que Pedro de Castro, musicou. O poema veio ter às mãos da fadista pelo neto de Feliciano da Silva, que é amigo de Katia Guerreiro e, inicialmente, era previsto ser gravado para fazer uma surpresa ao autor no dia de apresentação de um livro seu, o que não aconteceu, e acabou por ser incluído neste projeto.

A intérprete disse que "foi uma grande sorte" ter-lhe chegado às mãos este tema. Feliciano da Silva "escreve de uma forma amadora, mas com muito cuidado", "e é um retrato das festas das aldeias de Portugal, um tema divertido".

Katia Guerreiro mantém viva a memória de José Mário Branco, que produziu o seu álbum anterior, e com quem gravou o tema "Quem Diria" (José Rebola).

"Não tenho pudor nenhum em dizer que, neste momento, quando canto, penso sempre no José Mário, para nunca mais me esquecer a forma como ele me fez revisitar a essência da palavra e recuperar a forma transparente como a nossa mensagem tem de chegar aos outros, sem artifícios sem distrações. Estar em palco ou a gravar um disco tem ser tão puro e cristalino como olharmo-nos nos olhos uns dos outros. A mensagem tem de chegar direta à pessoas, sem ter de fazer reviravoltas".

À Lusa a fadista afirmou: "José Mário foi muito importante para mim", e esclareceu em seguida: "Devolveu-me não só a simplicidade, como me trouxe uma segurança que eu acho que estava a perder".

Sobre o autor e intérprete de "Inquietação", a quem se refere como "mestrinho", a fadista disse que "era um amante das palavras e um filósofo", e recordou "as longas e maravilhosas conversas" que tiveram, referindo que o músico lhe deixou "muitos ensinamentos, daqueles que vamos guardar para a vida".

"Das experiências mais gratas que tivemos", disse a fadista referindo-se a si e aos músicos que habitualmente a acompanham, "foi trabalhar com o José Mário, que era um homem grande, grande na alma, no pensamento, nas suas reflexões, e na forma como nos queria dizer tudo aquilo em que acreditava neste caminho do fado".

Neste álbum, Katia Guerreiro é acompanhada por Pedro de Castro e Luís Guerreiro, na guitarra portuguesa, João Mário Veiga e André Ramos, Francisco Gaspar, na viola baixo e contrabaixo, e conta ainda com as participações de Rui Veloso, na guitarra elétrica, em "Mistura", e de Tiago Bettencourt, na viola e piano, em "Que Passo Queres Dar".


INTERVIEW : « Mistura » est le nouvel album de Katia Guerreiro et sort le 18 novembre

Lisboa, 25 out 2022 (Lusa) - Le nouvel album de la chanteuse de fado Katia Guerreiro, « Mistura », est édité sous forme de livre, le 18 novembre, un projet qui réunit trois producteurs de musique, José Mário Branco, Tiago Bettencourt et Pedro de Castro.

« Nous avons pris le relais de manière très calme », la réunion des trois producteurs qui signent l’album, a déclaré le chanteur de fado dans une interview accordée à l’agence Lusa, rappelant que José Mário Branco, décédé en novembre 2019, avait produit son précédent album, « Sempre ».

Je pensais que ces thèmes ["Xaile Negro » et « Tempo de Viver"] que j’avais fait avec José Mário devaient être récupérés, c’est ce que nous avions prévu, car nous allions continuer à travailler ensemble. Pedro de Castro est mon bras droit et directeur musical, et nous avons récupéré Tiago Bettencourt qui a été le premier producteur de musique que j’ai eu, il a été le premier à me donner sa main. »

« Ensemble sur un disque, trois personnes qui ont été si importantes pour moi au cours des huit dernières années depuis 2014. »

Tiago Bettencourt a produit les thèmes « Dares Darevida », « Ne me perds plus en mer » et « Que Passo Queres dar ».

Pedro de Castro, pour sa part, a produit les sept autres: « Mistura », « Lisboa a perdu une voix », « Vida de Fado », « J’ai oublié la joie », « Cais da Saudade », « O Santo António da Aldeia » et « Espelho Teu »

Le créateur de « Secrets » (Paulo Valentim) a déclaré qu’en 2014 « je perdais un peu la main ».

« J’étais ébloui par la voix, parce que ma voix mûrissait et que j’avais besoin de retrouver mon origine dans le chant, dans le fado. James a été le premier à m’aider à le faire. Puis [c’était] avec Pedro à mes côtés, et José Mário. Et j’ai pensé que je devais rassembler ces trois âmes merveilleuses en un seul album. »

L’album sera commercialisé sous forme de livre, avec un « QR Code » qui donne accès à l’enregistrement, et plusieurs notes du chanteur de fado sur les sujets, en plus de l’identification des auteurs et de l’accompagnement.

« Mistura » ouvre l’album et donne le titre au projet, avec la musique de Pedro de Castro, appelé « Fado Alma! ». Mistura » est un poème de Maria Luísa Baptista, décédée en 2016, et qui a toujours fait partie du répertoire de la chanteuse de fado avec des thèmes tels que « Asas », « Muda tudo. Jusqu’au monde » et « J’ai une jupe ronde ». Dans cet album, il signe également « Esqueci-me da Alegria », un poème écrit par Pedro de Castro (à travers Fado Maria Luísa).

L’album totalise 12 thèmes, dont « Espelho Teu », avec paroles et musique de Rita Redshoes, « Cais da Saudade » de Pedro Rapoula, avec la musique de Pedro de Castro, « Não me Peri na Mar », paroles et musique de Hélder Moutinho, « Vida de Fado », de João Monge et Zeca Medeiros, et « Que Passo Queres Dar », paroles et musique de Tiago Bettencourt.

Pour Lusa, Katia Guerreiro a reconnu que, parmi les thèmes choisis, imprègne une certaine critique des chemins que le genre du fado a pris, à savoir à travers « Lisboa lost a voice », de Manuela de Freitas, musique de Tiago Curado et « Dana Danavida », de Carlos Mendonça (1939-2016), musique de Pedro de Castro (Fado das Biscoiteiras).

Le chanteur de fado a souligné que le poème de Carlos Mendonça a été écrit en 1990 et qu’il lui a été donné par l’auteur au début de ce siècle. « Déjà à cette époque avait ce sens critique des chemins du fado ».

Le poème de Carlos Mendonça demande « s’il n’y a pas de temps de oui / parce que ce sont des temps passés », parce que l’on continue à chanter « aiis à Mouraria », et « parle d’un Bairro Alto / effronté et avinhado / mais là jusqu’au basalte / marche plus sophistiqué ».

Dans le poème de Manuela de Freitas, Katia Guerreiro chante que « vous ne pouvez même pas entendre le chanteur de fado », entre « tambours, accordéon/, projections [et] feu de la vue », et donc le « fado est parti », mais peut-être « est caché dans une ruelle sombre ».

Katia Guerreiro a défendu « que toute musique subit une évolution, bien sûr. Amália [Rodrigues] lui-même a été un grand moteur d’évolution dans le fado », mais il a dit : « Quand nous parlons de fado, nous ne pouvons pas oublier qu’il s’agit d’une identité culturelle et, à partir du moment où le fado commence à se mélanger, ou à se présenter exclusivement avec des disques qui ne sont pas de son origine, à un certain point, nous commençons à être un peu découragés et inquiets de l’avenir que le fado peut commencer à prendre ».

Le chanteur de fado a fait référence à « un groupe d’artistes émergents qui, dans une tentative d’atteindre le succès, et la reconnaissance de certains des plus grands noms du fado aujourd’hui, ont fini par adopter d’autres disques, d’autres sons, d’autres façons de se présenter. Ces nouvelles générations vont très loin dans cette voie. Puis, à un moment donné, nous n’avons presque personne à représenter car nous connaissons le fado d’origine. Et cela ne veut pas dire ne pas être moderne du tout. »

« Défendre le fado ne signifie pas ne pas être moderne ou ne pas accepter l’évolution », a souligné le chanteur de fado, citant cette nouvelle œuvre.

« Les compositions que nous présentons sur cet album, même celles d’un caractère plus traditionnel - et il y a de nouveaux fados traditionnels sur ce disque - sont composées, pas de la manière simpliste dont elles ont été composées il y a 100 ou 150 ans, mais ont une structure musicale et une esthétique très contemporaines et très différentes et ont évolué par rapport à ce qu’était le fado. Et il y a les choix poétiques qui ont naturellement à voir avec le présent, une poésie plus contemporaine et plus intemporelle autre que la petite histoire du quartier - cela a été abandonné depuis un certain temps.

Se référant à « Lisboa a abandonné la voix », Katia Guerreiro déclare qu’il s’agit « d’une réponse à un autre thème », « O Fado Fled home » (2019), qu’elle a enregistré avec l’Anaquim, et qui a montré le musicien José Mário Branco (1942-2019) et la poétesse Manuela de Freitas, qui, avec « cette spontanéité qui est la sienne », a écrit ce poème.

« C’est ma réponse à l’Anaquim », a déclaré le chanteur de fado.

Parmi la liste d’environ 200 fados traditionnels existants, Katia Guerreira chante Le Fado Mocita dos Cacaróis, d’Alfredo Marceneiro, dans un poème de Manuela de Freitas, « Xaile Negro ».

La chanteuse de fado a reconnu que cet album confirme son identité artistique.

« Il y a une cohérence dans la manière. Je ne serai peut-être pas surpris, à moins que je ne choisisse les thèmes poétiques à chanter, bien sûr, et la façon dont je porte les choses, et je garde mon caractère très fado, et je reste très fidèle à mes racines en tant qu’artiste.

La programmation est « O Santo António da Aldeia », un thème datant de 1953, « à la manière du folklore », écrit par le « poète populaire » Feliciano da Silva, 92 ans, que Pedro de Castro, musique. Le poème est venu aux mains du chanteur de fado par le petit-fils de Feliciano da Silva, qui est un ami de Katia Guerreiro et, initialement, devait être enregistré pour surprendre l’auteur le jour de la présentation d’un de ses livres, ce qui n’a pas eu lieu, et a finalement été inclus dans ce projet.

L’interprète a déclaré que « c’était une grande chance » d’avoir atteint ses mains sur ce thème. Feliciano da Silva « écrit de manière amateur, mais très soigneusement », « et est un portrait des festivals des villages du Portugal, un thème amusant ».

Katia Guerreiro garde vivant le souvenir de José Mário Branco, qui a produit son album précédent, et avec qui elle a enregistré le thème « Quem Diria » (José Rebola).

« Je n’ai aucune honte à dire qu’en ce moment, quand je chante, je pense toujours à José Mário, pour ne jamais oublier la façon dont il m’a fait revisiter l’essence du mot et retrouver la manière transparente dont notre message doit atteindre les autres, sans artifice sans distractions. Être sur scène ou enregistrer un disque doit être aussi pur et cristallin que de se regarder dans les yeux. Le message doit parvenir directement aux gens, sans avoir à faire de rebondissements. »

À Lusa, le chanteur de fado a déclaré: « José Mário était très important pour moi », puis a clarifié: « Cela m’a rendu non seulement la simplicité, mais m’a apporté une sécurité que je pense que je perdais ».

A propos de l’auteur et interprète de « Restlessness », qu’il appelle « mestrinho », le chanteur de fado a déclaré qu'"il était un amoureux des mots et un philosophe », et a rappelé « les longues et merveilleuses conversations » qu’ils ont eues, se référant que le musicien lui a laissé « beaucoup d’enseignements, de ceux que nous garderons pour la vie ».

« Parmi les expériences les plus reconnaissantes que nous avons eues », a déclaré le chanteur de fado en se référant à lui-même et aux musiciens qui l’accompagnent habituellement, « il est allé travailler avec José Mário, qui était un grand homme, grand dans l’âme, dans sa pensée, dans ses réflexions, et dans la façon dont il voulait nous dire tout ce en quoi il croyait dans cette voie du fado. »

Dans cet album, Katia Guerreiro est accompagnée de Pedro de Castro et Luís Guerreiro, à la guitare portugaise, João Mário Veiga et André Ramos, Francisco Gaspar, à la basse et à la contrebasse, et a également la participation de Rui Veloso, à la guitare électrique, dans « Mistura », et Tiago Bettencourt, à l’alto et au piano, dans « Que Passo Queres Dar ».





Après plus de 20 ans de carrière, Katia Guerreiro est devenue la figure emblématique d'une génération de fadistes portugais incarnant la voie originelle du fado. Elle chante sa musique comme une profession de foi à ce qu'il y a d'éternel dans le fado : cette expression de l'âme profonde du peuple portugais, qui reflète avec la même ferveur ses joies et ses douleurs. Le fado d'hier et de demain, sans artifice ni calcul.

Digne héritière d'Amália Rodrigues, Katia Guerreiro est aujourd'hui à Lisbonne la chanteuse de fado la plus adulée. Son chant poignant et sa musique bouleversante soulagent les âmes blessées, déclenchant les passions au-delà du Portugal. Sa double vie de chanteuse et de médecin lui donne l'expérience des souffrances et des émotions humaines, une générosité palpable à chacun de ses concerts. Frissons et émotions assurés

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