LDT NEWS 10/03/2023

 Hoje é sexta-feira, 10 de março, sexagésimo nono dia do ano. Faltam 296 dias para o final de 2023.

Surma e "Ice Merchants" no festival norte-americano SXSW que começa hoje


Austin, Estados Unidos, 10 mar 2023 (Lusa) – O projeto musical Surma, da portuguesa Débora Umbelino, e o filme "Ice Merchants", do realizador português João González, integram o cartaz do festival norte-americano South By Southwest (SXSW), que começa hoje em Austin, capital do estado norte-americano do Texas.

De acordo com informação disponível no 'site' oficial do festival, "Ice Merchants", que integra a competição de curtas-metragens de animação, será exibido duas vezes, no sábado e no dia 15 de março.

A atuação de Surma está marcada para 18 de março.

O SXSW, que teve a primeira edição em 1987, é um festival anual que ocupa a cidade de Austin com conferências, debates, cinema e dezenas de concertos em simultâneo, para uma audiência que integra público geral, mas sobretudo figuras da indústria criativa, promotores, editores e agentes.

"Ice Merchants", o terceiro filme de João Gonzalez, é sobre perda e laços familiares, entre um pai e um filho, e tem como ponto de partida a imagem de uma casa numa montanha, debruçada num precipício.

Esta curta-metragem, contada sem narrador nem diálogos, apenas por imagens desenhadas e música, tem coprodução da portuguesa Cola Animation com Reino Unido e França.

"Ice Merchants" teve estreia mundial em 2022 na Semana da Crítica de Cannes, em França, onde foi premiado. Desde então, tem somado vários outros prémios em contexto de festivais, entre os quais o Annie, considerados os Óscares da animação, de melhor curta-metragem e o prémio do público, na mesma categoria, do Festival Internacional de Cinema de Animação – Anima, em Bruxelas.

O filme de João Gonzalez, que é candidato aos Óscares, está atualmente em exibição nos cinemas portugueses.

Para Surma, este será um regresso ao SXSW, onde esteve em 2018 para apresentar o primeiro disco, "Antwerpen". Em 2023, o foco estará em "alla", o segundo longa duração, editado em novembro.

A internacionalização tem sido uma forte aposta de Surma, que, desde 2018, conta com mais de 200 atuações em 15 países da Europa, América e Ásia. O percurso, interrompido pela pandemia, é retomado este ano.

O SXSW decorre até 19 de março.


Surma et « Ice Merchants » au festival nord-américain SXSW qui commence aujourd’hui


Austin, Estados Unidos, 10 mar 2023 (Lusa) – Le projet musical Surma, de la Portugaise Débora Umbelino, et le film « Ice Merchants », du réalisateur portugais João González, font partie de l’affiche du festival nord-américain South By Southwest (SXSW), qui débute aujourd’hui à Austin, capitale de l’État américain du Texas.

Selon les informations disponibles sur le « site officiel » du festival, « Ice Merchants », qui fait partie de la compétition pour les courts métrages d’animation, sera projeté deux fois, samedi et le 15 mars.

La représentation de Surma est prévue pour le 18 mars.

SXSW, qui a eu lieu pour la première fois en 1987, est un festival annuel qui occupe la ville d’Austin avec des conférences, des débats, du cinéma et des dizaines de concerts simultanément, pour un public qui intègre le grand public, mais surtout les personnalités de l’industrie créative, les promoteurs, les éditeurs et les agents.

« Ice Merchants », le troisième film de João Gonzalez, parle de la perte et des liens familiaux, entre un père et un fils, et son point de départ est l’image d’une maison sur une montagne, surplombant une falaise.

Ce court-métrage, raconté sans narrateur ni dialogue, uniquement par des images dessinées et de la musique, a coproduit The Portuguese Cola Animation avec le Royaume-Uni et la France.

« Ice Merchants » a été présenté en première mondiale en 2022 à la Semaine de la critique de Cannes en France, où il a été primé. Depuis, il a ajouté plusieurs autres prix dans le cadre de festivals, dont Annie, considérée comme l’Oscar de l’animation, du meilleur court métrage et le prix du public, dans la même catégorie, du Festival International du Film d’Animation – Anima, à Bruxelles.

Le film de João Gonzalez, candidat aux Oscars, est actuellement présenté dans les cinémas portugais.

Pour Surma, ce sera un retour à SXSW, où il était en 2018 pour présenter le premier album, « Antwerpen ». En 2023, l’accent sera mis sur « alla », la deuxième longue durée, éditée en novembre.

L’internationalisation a été un pari fort de Surma, qui depuis 2018 compte plus de 200 représentations dans 15 pays d’Europe, d’Amérique et d’Asie. Le parcours, interrompu par la pandémie, reprend cette année.

SXSW se déroule jusqu’au 19 mars.


Notícias breves de Cultura: 


 

Lisboa recebe concerto solidário para com vítimas de terramotos na Turquia e Síria

O Largo Residências, em Lisboa, vai acolher no domingo um concerto solidário para com as vítimas dos terramotos de fevereiro na Turquia e na Síria, cujas receitas revertem na íntegra para a associação turca Ahbap.

O concerto acontece no domingo às 16:00 na Sala Estúdio A do Largo Residências, no Quartel do Largo do Cabeço de Bola, em Lisboa, tendo as entradas um custo de 10 euros, sendo necessário o preenchimento de um formulário e o envio do comprovativo da doação.

No concerto vão atuar Gülami Yeşildal, Martin Sued, Eva Parmenter, Mbye Ebrima e Sibel Durgut, entre outros convidados.

Um sismo de magnitude 7,8 na escala de Richter atingiu o sudeste da Turquia e o norte da Síria no dia 06 de fevereiro, seguindo-se várias réplicas.

Mais de 50 mil pessoas morreram na sequência dos sismos.

Festival Paredes de Coura acrescenta Yo La Tengo e Snail Mail ao cartaz

O festival de Paredes de Coura juntou hoje ao cartaz da edição deste ano, que acontece entre 16 e 19 de agosto naquele concelho do distrito de Viana do Castelo, os nomes de Yo La Tengo, Snail Mail, Tim Bernardes e A Garota Não.

Os quatro nomes hoje anunciados são acrescentados a um cartaz que já conta com Lorde, Little Simz, Wilco, Fever Ray, Loyle Corner, Jessie Ware, The Walkmen, Explosions in The Sky, Yung Lean, Sleaford Mods, Black Midi, DOMi & JD BECK, The Brian Jonestown Massacre, Kenny Beats, Sudan Archives, Lee Fields, Kokoroko, Desire, Dry Cleaning, Squid, Special Interest, Ascendant Vierge, Les Savy Fav, Julie, Yin Yin, Calibro 35, Thus Love, Joe Unknown, Evols, Chinaskee, indignu e Nuno Lopes

Os passes gerais para o evento custam 120 euros, enquanto os bilhetes diários estão à venda por metade desse valor.

Fadista Carlos do Carmo vai constar na toponímia de Lisboa

O fadista Carlos do Carmo (1939-2021) vai dar nome a um "passeio localizado na zona ribeirinha de Belém, entre o Terreiro das Missas e o Jardim das Docas da Ponte", em Lisboa, anunciou a Câmara da capital.

A inauguração do passeio ribeirinho é no próximo sábado, às 17:30, e conta com um concerto do fadista Camané.

Na cerimónia vão estar o presidente da câmara, Carlos Moedas, estando também presentes o vereador da Cultura, Diogo Moura, os presidentes das juntas de freguesia de Alcântara e de Belém, respetivamente Davide Amado e Fernando Ribeiro Rosa, a diretora do Museu do Fado, Sara Pereira, o musicólogo Rui Vieira Nery e representantes da família de Carlos do Carmo.

Carlos do Carmo é o intérprete do hino da cidade "Lisboa menina e moça" (Joaquim Pessoa/Fernando Tordo/Paulo de Carvalho).

"Considerado uma das maiores referências da música portuguesa e do Fado em particular, Carlos do Carmo desempenhou um papel da maior relevância na ligação às novas gerações do Fado, estando sempre envolvido na valorização da tradição aliada à inovação", realça a edilidade alfacinha que destaca, do seu repertório, "Lisboa Menina e Moça", "Duas Lágrimas de Orvalho" (João Linhares Barbosa/Pedro Rodrigues), "Bairro Alto" (Carlos Simões Neves/Nuno Aguiar/Francisco Carvalhinho), "Canoas do Tejo" (Frederico de Brito) e "Rosa da Noite" (José Carlos Ary dos Santos/Joaquim Luís Gomes), temas "que serão interpretados por Camané nesta homenagem".

Banda Cassete Pirata toca em Lisboa e Porto

A banda 'pop/indie' Cassete Pirata vai fechar digressão "A Semente", nos próximos dias 29 e 30, com dois concertos, respetivamente, às 22:00, no Musicbox, em Lisboa, e às 21:00, nos Maus Hábitos, no Porto, anunciaram hoje os músicos.

Segundo a banda o concerto na capital está já "esgotado". "Estes espetáculos farão uma retrospetiva pela carreira da banda, revisitando os temas d' 'A Semente', dos álbuns anteriores e revelando também algumas novidades dos próximos capítulos", lê-se no mesmo comunicado.

A banda Cassete Pirata surgiu em 2016.



 

Lisbonne reçoit un concert de solidarité pour les victimes du tremblement de terre en Turquie et en Syrie

Largo Residências, à Lisbonne, accueillera dimanche un concert de solidarité pour les victimes des tremblements de terre de février en Turquie et en Syrie, dont les bénéfices reviennent intégralement à l’association turque Ahbap.

Le concert a lieu le dimanche à 16h00 dans la salle Studio A de Largo Residências, au siège de Largo do Cabeço de Bola, à Lisbonne, avec des billets d’un coût de 10 euros, étant nécessaires pour remplir un formulaire et envoyer la preuve de don.

Gülami Yeşildal, Martin Sued, Eva Parmenter, Mbye Ebrima et Sibel Durgut se produiront au concert, entre autres invités.

Un séisme de magnitude 7,8 sur l’échelle de Richter a frappé le sud-est de la Turquie et le nord de la Syrie le 06 février, suivi de plusieurs répliques.

Plus de 50 <> personnes sont mortes à la suite des tremblements de terre.

Le Festival Paredes de Coura ajoute Yo La Tengo et Snail Mail à l’affiche

Le festival de Paredes de Coura a rejoint aujourd’hui l’affiche de l’édition de cette année, qui a lieu entre le 16 et le 19 août dans cette municipalité du district de viana do Castelo, les noms de Yo La Tengo, Snail Mail, Tim Bernardes et The Girl No.

Os quatro nomes hoje anunciados são acrescentados a um cartaz que já conta com Lorde, Little Simz, Wilco, Fever Ray, Loyle Corner, Jessie Ware, The Walkmen, Explosions in The Sky, Yung Lean, Sleaford Mods, Black Midi, DOMi & JD BECK, The Brian Jonestown Massacre, Kenny Beats, Sudan Archives, Lee Fields, Kokoroko, Desire, Nettoyage à sec, Calmar, Special Interest, Ascendant Vierge, Les Savy Fav, Julie, Yin Yin, Calibro 35, So Love, Joe Unknown, Evols, Chinaskee, indignu e Nuno Lopes

Les laissez-passer généraux pour l’événement coûtent 120 euros, tandis que les billets quotidiens sont en vente pour la moitié de ce montant.

Le chanteur de fado Carlos do Carmo apparaîtra dans la toponymie de Lisbonne

Le chanteur de fado Carlos do Carmo (1939-2021) donnera son nom à une « tournée située dans la zone riveraine de Belém, entre la messe Terreiro das et le jardin des docks du pont », à Lisbonne, a annoncé la mairie de la capitale.

L’inauguration de la promenade riveraine aura lieu samedi prochain, à 17h30, et comprendra un concert du chanteur de fado Camané.

La cérémonie sera le maire, Carlos Moedas, également présent le conseiller de la culture, Diogo Moura, les présidents des conseils paroissiaux d’Alcântara et de Belém, respectivement Davide Amado et Fernando Ribeiro Rosa, la directrice du musée du Fado, Sara Pereira, le musicologue Rui Vieira Nery et des représentants de la famille de Carlos do Carmo.

Carlos do Carmo est l’interprète de l’hymne de la ville « Lisboa menina e moça » (Joaquim Pessoa/Fernando Tordo/Paulo de Carvalho).

« Considéré comme l’une des plus grandes références de la musique portugaise et du Fado en particulier, Carlos do Carmo a joué un rôle de la plus grande importance dans la connexion aux nouvelles générations de Fado, étant toujours impliqué dans la valorisation de la tradition alliée à l’innovation », souligne l’edilité alfacinha qui souligne, de son répertoire, « Lisboa Menina e Moça », « Duas Lágrimas de Dealho » (João Linhares Barbosa / Pedro Rodrigues), « Bairro Alto » (Carlos Simões Neves/Nuno Aguiar/Francisco Carvalhinho), « Canoas do Tejo » (Frederico de Brito) et « Rosa da Noite » (José Carlos Ary dos Santos/Joaquim Luís Gomes), thèmes « qui seront interprétés par Camané dans cet hommage ».

Banda Cassete Pirata joue à Lisbonne et Porto

Le groupe 'pop/indie' Cassette Pirata clôturera la tournée « A Semente », dans les prochains 29 et 30 jours, avec deux concerts, respectivement, à 22h00, musicbox à Lisbonne, et à 21h00, à Maus Hábitos, porto, a annoncé aujourd’hui les musiciens.

Selon le groupe, le concert dans la capitale est déjà « complet ». « Ces spectacles feront une rétrospective de la carrière du groupe, revisitant les thèmes de » A Semente « des albums précédents et révélant également des nouvelles des prochains chapitres », peut-on lire dans le même communiqué.

Le groupe Cassette Pirata est apparu en 2016.


novidade musical


Duetos de Carlos do Carmo reunidos em novo álbum

Um novo álbum de duetos de Carlos do Carmo (1939-2021), com nomes como Dani Silva, Pedro Abrunhosa e Rui Veloso, é lançado na próxima semana, anunciou a sua discográfica.

A sair no dia 17, o novo álbum inclui alguns dos duetos que o fadista fez ao longo de uma carreira de mais de 50 anos, como o realizado em 2011 com Marco Rodrigues, "O Homem do Saldanha" (AC Firmino/Tiago Machado), que fez parte, originalmente, do álbum "Tantas Lisboas", de Rodrigues.

A compilação inclui alguns duetos do CD "Fado é Amor" (2013), quando Carlos do Carmo celebrou 50 anos de carreira, nomeadamente a recuperação de um com sua mãe, Lucília do Carmo (1919-1989), interpretando o fado "Loucura" (Júlio de Sousa).

O elenco deste álbum inclui ainda Chico Buarque, Paulo de Carvalho, Luís Represas, Ala dos Namorados e Sam the Kid.

O fadista Camané é o único que bisa a participação, interpretando "Lucinda Camareira" (João Linhares Barbosa/Alfredo Marceneiro), e "Fotos do Fogo" (Sérgio Godinho), numa gravação em que participa também Sérgio Godinho. Este tema surgiu originalmente no álbum "Tinta Permanente" (1993), de Godinho.

Um outro tema partilhado por mais que dois artistas é "O Cacilheiro" (Ary dos Santos/Paulo de Carvalho), do álbum "Um Homem na Cidade" (1977) de Carmo. Esta edição recupera a gravação deste tema por Carlos do Carmo, Ricardo Gordo, The Legendary Tigerman e Stereossauro.



Les duos de Carlos do Carmo réunis dans un nouvel album

Un nouvel album de duos de Carlos do Carmo (1939-2021), avec des noms comme Dani Silva, Pedro Abrunhosa et Rui Veloso, sort la semaine prochaine, a annoncé sa maison de disques.

Sorti le 17, le nouvel album comprend certains des duos que le chanteur de fado a réalisés au cours d’une carrière de plus de 50 ans, comme celui interprété en 2011 avec Marco Rodrigues, « O Homem do Saldanha » (AC Firmino / Tiago Machado), qui faisait à l’origine partie de l’album « Tantas Lisboas » de Rodrigues.

La compilation comprend quelques duos du CD « Fado é Amor » (2013), lorsque Carlos do Carmo a célébré 50 ans de carrière, à savoir la récupération d’un avec sa mère, Lucília do Carmo (1919-1989), jouant le fado « Loucura » (Júlio de Sousa).

Le casting de cet album comprend également Chico Buarque, Paulo de Carvalho, Luís Represas, Ala dos Namorados et Sam the Kid.

Le chanteur de fado Camané est le seul à jouer la participation, jouant « Lucinda Camareira » (João Linhares Barbosa / Alfredo Marceneiro), et « Fotos do Fogo » (Sérgio Godinho), dans un enregistrement auquel Sérgio Godinho participe également. Ce thème est apparu à l’origine sur l’album de godinho « Tinta Permanente » (1993).

Un autre thème partagé par plus de deux artistes est « O Cacilheiro » (Ary dos Santos/Paulo de Carvalho), extrait de l’album « Um Homem na Cidade » (1977) de Carmo. Cette édition reprend l’enregistrement de ce thème par Carlos do Carmo, Ricardo Gordo, The Legendary Tigerman et Stereosaurus.




ENTREVISTA: Álbum de estreia de Eu.Clides "Declive" 


Lisboa, 09 mar 2023 (Lusa) – O músico Eu.Clides edita hoje o álbum de estreia, "Declive", que se posiciona "no centro" de todos os sítios por onde passou, da música clássica à eletrónica, passando pelo gospel e pelos sons de Cabo Verde.

Pedir a Eu.Clides para definir a música que faz "é difícil, porque envolve muita coisas", tendo em conta que já passou "por muitos sítios, muita música diferente, desde a música clássica ao gospel, à música portuguesa".

"Diria que estou um pouco entre isso tudo. Depois há a música cabo-verdiana também, e ainda a eletrónica, que apareceu mais tarde. Diria que o disco é algo no centro disso tudo", contou Euclides Gomes (Eu.Clides) em entrevista à agência Lusa.

O percurso de Eu.Clides começa em 1996, em Cabo Verde, onde nasceu. Um ano depois, mudou-se para Portugal, onde aos oito anos começou a estudar guitarra clássica no Conservatório de Aveiro. "Só parei os estudos de guitarra clássica com 19, 20 anos, já em Paris", onde vive atualmente, recordou.

Antes de começar a carreira a solo, e já a viver na capital francesa, acompanhou o grupo senegalês Daara J Family em digressão, e mais tarde passou a fazer parte da equipa da cantora cabo-verdiana Mayra Andrade, artista que ouvia "desde míudo" e cujo concerto que viu em Coimbra foi o primeiro na vida para o qual comprou bilhete.

Tocar com os Daara J Family e Mayra Andrade acabou por influenciar Eu.Clides sobretudo "culturalmente": "a oportunidade de estar em vários países, de interagir com eles e aprender muito".

"Muitas vezes senti-me bastante pequeno em alguns sítios onde estive, a ouvir outras pessoas, cruzar-me com outros músicos. Senti-me mesmo 'super pequeno', e acho que isso fez-me crescer, como pessoa e musicalmente também, porque acredito que quando te reduzes a nível pessoal, quando te tornas mais humilde, a tua música pode crescer bastante. Acho que foi crucial", partilhou.

Eu.Clides sente que vive com o "bichinho" de querer criar um projeto a solo "desde a guitarra clássica". "Comecei a habituar-me a concertos, competições, concursos, audições. Por volta dos 16, 17 anos comecei a ter as minhas primeiras experiências, ainda que algumas bastante pequenas, de ver o meu nome num cartaz. Isso de alguma forma era especial, porque acabava por comunicar com as pessoas. A música clássica não tem propriamente letra, mas fala por si, e acabava por ter interações pós-concerto com as pessoas, e isso sempre foi algo que me fascinou muito", recordou.

Essa vontade cresceu ainda mais na altura em que tocava com Mayra Andrade. "Aconteceu bastante pensar 'ok, estou num sítio ideal', mas ainda assim sentia essa falta de passar a minha própria mensagem. Nos concertos há muita interação entre artista e público, e às vezes eu olhava para o público e tinha vontade de dizer outras coisas, as minhas coisas. Sentia bastante essa vontade de fazer o meu próprio projeto, que tinha não que ver com o prestígio que isso me pudesse dar, mas com o contacto com as pessoas", disse.

A solo, além de guitarrista, acabou por tornar-se também cantor por sentir que "quando cantava acabava por conseguir transmitir mais coisas às pessoas".

Eu.Clides considera-se "muito melhor guitarrista do que cantor", mas quando canta, além de poder passar uma mensagem através de palavras, "o próprio canto acaba por ser muito mais sensível, mais profundo e acaba por comunicar ainda melhor com as pessoas".

"Senti que era esse o próximo passo. Sinto-me guitarrista, como é óbvio, mas muito mais do que isso, sinto-me artista, e acho que não dependo de uma guitarra para passar a minha música para as outras pessoas", referiu.

Em 2020, divulgou o primeiro tema, "Terra-Mãe", uma homenagem à Liberdade e ao 25 de Abril de 1974.

Seguiram-se "Ir para quê?" e "Tempo Torto", este último em colaboração com Branko, com quem voltaria a trabalhar nos temas do EP "Reservado", editado no ano seguinte, marcado também pela participação no Festival da Canção e pelos primeiros concertos a solo.

A participação no Festival da Canção, interpretando o tema "Volte-Face", composto por Pedro da Linha, foi uma "experiência super enriquecedora". "Muitas pessoas conheceram-me e acho que dali começou uma nova fase do meu projeto", disse.

A colaboração com Pedro da Linha correu tão bem que decidiram "continuar esse processo, que se desenvolveu para este disco", "Declive".

Além de Pedro da Linha, Eu.Clides tem outro importante 'colaborador': Tota, um "instrumentista, muito forte em composição, mas cujo ponto mais forte é a escrita".

A "qualidade lírica é crucial" para Eu.Clides, que considera nem sempre a conseguir ter, por isso delegou a função de escrever letras no "grande amigo" Tota.

"Um bom letrista é alguém que sabe ouvir o artista, explicá-lo e interpretá-lo. Já aconteceu a minha mãe ouvir e pensar 'isto foste tu [que escreveste]', e não fui. Sei conversar com o Tota, sei o que quero, a relação torna-se forte e artisticamente as coisas acabam por ter muito mais força. Para mim é 'super importante' ter alguém a dar-me esse 'boost' e isso não me reduz em nada", afirmou.

Para Eu.Clides é "'super natural' ter uma equipa que consiga contribuir para um projeto a solo". "Sinto que estes nomes acabam por me dar mais, porque ambos percebem qual é o meu projeto e de que forma podem contribuir para ele", defendeu.

Os onze temas que compõem "Declive" têm por base parábolas. "Ambos [eu e Tota] somos cristãos [no Cristianismo a parábola é uma pequena narrativa que usa alegorias para transmitir uma lição moral], e decidimos criar histórias relacionadas com parábolas, algumas a partir de experiências pessoais, outras histórias que criámos, e outras histórias que existiram e decidimos contar através das minhas músicas", contou Eu.Clides.

Já o título do álbum, além de "ter muitas letras em comum com Euclides", tem ligação à ideia base do disco, "a parábola e os altos e baixos da vida".

O músico lembra que a parábola, "como figura geométrica, tem a forma de altos e baixos, e o declive representa a ideia de rampa".

"É um disco que representa muito uma fase baixa da minha vida, em que tive que lidar com muita ansiedade e stress. Às vezes olhamos para a dor e estes problemas como algo que nos destrói e eu estou a tentar olhar para eles como uma rampa, algo que nos pode construir para algo melhor. Ou seja, acho que quando as pessoas ouvirem o disco vão pensar 'é muito doloroso', mas no entanto há sempre aquele toque de positividade e de construção", referiu.

Nos concertos de apresentação de "Declive" ao vivo, cujas datas serão anunciadas em breve, Eu.Clides estará em palco acompanhado por Tota e um outro multi-instrumentista, Ricardo Coelho.

JRS // MAG



 Le musicien Eu.Clides édite aujourd’hui le premier album, « Declive », qui se positionne « au centre » de tous les lieux où il est allé, de la musique classique à la musique électronique, en passant par le gospel et les sons du Cap-Vert.

Demander à Eu.Clides de définir la musique qu’il fait « est difficile, car cela implique beaucoup de choses », considérant qu’il a traversé « beaucoup d’endroits, beaucoup de musiques différentes, de la musique classique au gospel, en passant par la musique portugaise ».

« Je dirais que je suis un peu entre les deux. Ensuite, il y a aussi la musique capverdienne, puis l’électronique, qui est apparue plus tard. Je dirais que l’album est quelque chose au centre de tout cela », a déclaré Euclides Gomes (Eu.Clides) dans une interview avec Lusa.

Le voyage d’Eu.Clides commence en 1996 au Cap-Vert, où il est né. Un an plus tard, il s’installe au Portugal, où à l’âge de huit ans, il commence à étudier la guitare classique au Conservatoire d’Aveiro. « Je n’ai arrêté mes études de guitare classique qu’à l’âge de 19, 20 ans, déjà à Paris », où il vit actuellement, se souvient-il.

Avant de commencer sa carrière solo, et vivant déjà dans la capitale française, il a accompagné le groupe sénégalais Daara J Family en tournée, et a ensuite fait partie de l’équipe de la chanteuse capverdienne Mayra Andrade, artiste qui écoutait « depuis le petit déjeuner » et dont le concert qu’il a vu à Coimbra était le premier de sa vie pour lequel il a acheté un billet.

Jouer avec la famille Daara J et Mayra Andrade a fini par influencer Eu.Clides principalement « culturellement »: « la possibilité d’être dans plusieurs pays, d’interagir avec eux et d’apprendre beaucoup ».

« Je me suis souvent senti assez petit dans certains endroits où j’ai été, écoutant d’autres personnes, croisant d’autres musiciens. Je me sentais vraiment « super petit », et je pense que ça m’a fait grandir, en tant que personne et musicalement aussi, parce que je crois que lorsque vous vous réduisez à un niveau personnel, quand vous devenez plus humble, votre musique peut grandir beaucoup. Je pense que c’était crucial », a-t-il partagé.

Eu.Clides sent qu’il vit avec le « pet » de vouloir créer un projet solo « à partir de la guitare classique ». « J’ai commencé à m’habituer aux concerts, aux concours, aux concours, aux auditions. Vers l’âge de 16 ou 17 ans, j’ai commencé à avoir mes premières expériences, bien que certaines assez petites, de voir mon nom sur une affiche. C’était en quelque sorte spécial, parce que cela a fini par communiquer avec les gens. La musique classique n’a pas exactement de paroles, mais elle parle d’elle-même, et elle a fini par avoir des interactions post-concert avec les gens, et c’est toujours quelque chose qui m’a beaucoup fasciné », se souvient-il.

Cela grandira encore plus à l’époque où il jouait avec Mayra Andrade. « C’est arrivé souvent de penser 'ok, je suis dans un endroit idéal', mais je manquais quand même de transmettre mon propre message. Dans les concerts, il y a beaucoup d’interaction entre l’artiste et le public, et parfois je regardais le public et je voulais dire d’autres choses, mes choses. J’ai ressenti tout à fait ce désir de faire mon propre projet, qui n’avait rien à voir avec le prestige que cela pouvait me donner, mais avec le contact avec les gens », a-t-il déclaré.

Sur le solo, en plus d’être guitariste, il est également devenu chanteur parce qu’il sentait que « quand il chantait, il pouvait finir par transmettre plus de choses aux gens ».

Eu.Clides se considère comme « bien meilleur guitariste que chanteur », mais quand il chante, en plus d’être capable de faire passer un message à travers les mots, « la chanson elle-même s’avère beaucoup plus sensible, plus profonde et finit par communiquer encore mieux avec les gens ».

« J’ai senti que c’était la prochaine étape. Je me sens comme un guitariste, bien sûr, mais bien plus que cela, je me sens comme un artiste, et je ne pense pas dépendre d’une guitare pour transmettre ma musique à d’autres personnes », a-t-il déclaré.

En 2020, il sort le premier thème, « Terre Mère », un hommage à la Liberté et au 25 avril 1974.

« Go for what? » et « Tempo Torto », ce dernier en collaboration avec Branko, avec qui il reviendra travailler sur les thèmes de l’EP « Reservado », édité l’année suivante, également marqué par la participation au Festival de la chanson et les premiers concerts solo.

La participation au Festival de la chanson, interprétant le thème « Volte-Face », composé par Pedro da Linha, a été une « expérience super enrichissante ». « Beaucoup de gens m’ont rencontré et je pense qu’une nouvelle phase de mon projet a commencé », a-t-il déclaré.

La collaboration avec Pedro da Linha s’est si bien passée qu’ils ont décidé de « continuer ce processus, qui s’est développé pour ce disque », « Declive ».

Outre Pedro da Linha, Eu.Clides a un autre « collaborateur » important: Tota, un « instrumentiste, très fort dans la composition, mais dont le point fort est l’écriture ».

La « qualité lyrique est cruciale » pour Eu.Clides, qui considère ne pas toujours pouvoir avoir, a donc délégué la fonction d’écrire des lettres dans le « grand ami » Tota.

« Un bon parolier est quelqu’un qui sait écouter l’artiste, l’expliquer et l’interpréter. C’est arrivé à ma mère d’entendre et de penser 'c’est toi [qui ai écrit]', et je n’y suis pas allé. Je sais comment parler à Tota, je sais ce que je veux, la relation devient forte et artistiquement les choses finissent par avoir beaucoup plus de force. Pour moi, c’est 'super important' que quelqu’un me donne ce coup de pouce et cela ne me réduit à rien », a-t-il déclaré.

Pour Eu.Clides, il est « super naturel d’avoir une équipe qui peut contribuer à un projet solo ». « J’ai l’impression que ces noms finissent par me donner plus, parce qu’ils réalisent tous les deux ce qu’est mon projet et comment ils peuvent y contribuer », a-t-il déclaré.

Les onze thèmes qui composent « Slope » sont basés sur des paraboles. « Tota et moi sommes chrétiens [dans le christianisme, la parabole est un petit récit qui utilise des allégories pour transmettre une leçon de morale], et nous avons décidé de créer des histoires liées aux paraboles, certaines à partir d’expériences personnelles, d’autres histoires que nous avons créées, et d’autres histoires qui existaient et nous avons décidé de raconter à travers mes chansons », a déclaré Eu.Clides.

Le titre de l’album, en plus d’avoir « de nombreuses paroles en commun avec Euclide », est lié à l’idée de base de l’album, « la parabole et les hauts et les bas de la vie ».

Le musicien rappelle que la parabole, « en tant que figure géométrique, a la forme de hauts et de bas, et la pente représente l’idée de rampe ».

« C’est un disque qui représente une phase très basse de ma vie, où j’ai dû faire face à beaucoup d’anxiété et de stress. Parfois, nous considérons la douleur et ces problèmes comme quelque chose qui nous détruit et j’essaie de les voir comme une rampe, quelque chose qui peut nous construire vers quelque chose de mieux. C’est-à-dire que je pense que lorsque les gens entendent le disque, ils pensent que c’est très douloureux, mais il y a toujours cette touche de positivité et de construction », a-t-il déclaré.

Dans les concerts live « Slope », dont les dates seront annoncées prochainement, Eu.Clides sera sur scène accompagné de Tota et d’un autre multi-instrumentiste, Ricardo Coelho.


Lisboa, 09 mar 2023 (Lusa) – A cantautora Carolina Deslandes definiu o seu novo álbum, "Caos", a sair na sexta-feira, como "honesto, autêntico e raivoso", numa entrevista à agência Lusa em que também antecipa o próximo álbum, "Calma", a publicar em outubro.

A compositora afirmou que "'Caos' é um álbum em que se tem um bocadinho das sonoridades que quis abordar". "Há parte de uma letra da Amália [Rodrigues], há uma canção popular que é 'A Saia da Carolina', mas depois coisas completamente diferentes como 'Terapia' ou 'Supermercado', que têm a ver com a música que ouvia na minha adolescência, depois coisas à voz e à guitarra. Há uma mistura grande de géneros e de sonoridades".

Este é "um disco mais honesto e um bocadinho mais triste, mais raivoso", reforçou. "Eu dei-lhe este nome, para simbolizar essa confusão. Se olharmos com atenção é uma confusão autorizada. É um disco muito livre e muito honesto, é isso".

"Caos" é constituído por 16 canções, nas quais a cantautora aborda relações amorosas, o quotidiano, mas também a situação da mulher, em "A Saia da Carolina".

Deslandes reconheceu que esta canção "é um protesto", realçando que "é uma mudança da narrativa que ouvimos em todas as histórias, canções populares e infantis, em que a mulher usa saia, é recatada, que tem de ter cuidado, que lhe pode acontecer alguma coisa de mal e tem de ficar fechada em casa, e é uma mudança dessa narrativa em que a Carolina já não veste saias, veste fato, não tem que ter cuidado com nada, mas sim com ela".

"Nós ouvimos dizer que a mulher tem de ser delicada, tem de saber coser uma bainha, tem de saber cozinhar, que os homens se conquistam pelo estômago, a mulher 'tem de', 'tem de'... E é por causa desses 'tem de' que quando usufruo da minha liberdade e não estou a fazer nada de ofensivo, as pessoas se sentem todas ofendidas pelos meus comportamentos".

A canção, acrescentou, "é uma celebração da liberdade e da liberdade feminina".

A canção "A Saia da Carolina", para a compositora, "é essa celebração da liberdade de cada uma e da liberdade de cada um".

"O que seria eu, em 2023, ter que pedir licença para ser exatamente aquilo que sou. Estou a cumprir a lei, não estou a chatear ninguém, tenho só opiniões e tenho a minha forma de ser e de estar", declarou.

O álbum celebra dez anos da "cumplicidade" com o músico Agir, que é um dos produtores, realçou Carolina Deslandes. O outro é o músico Jon.

As canções foram escritas por Deslandes com Feodor Bivol, Pedro Mourato e Diogo Clemente, entre outros autores.

O álbum abre com "Raiva" e inclui, entre outros temas, "Conta-me", "Amei-te", "Odeia-me", "Precipício", que interpreta com Carlão, e "Coisas no Silêncio", que compôs e interpreta com Bárbara Tinoco.

"O Carlão e a Bárbara Tinoco vieram dar ainda mais alma a um disco ao qual dei tudo", sublinhou Deslandes à Lusa.

A compositora afirmou que convidou Tinoco pois gosta e admira muito o seu trabalho, e que esta música foi escrita como se de um jogo de ténis se tratasse: "A Bárbara fez o primeiro verso, em seguida fiz eu, depois comecei o refrão e foi assim. Nós entendemo-nos muito bem e ela tinha-me já convidado para participar no EP dela e calhou compormos juntas; perguntei-lhe se ela queria participar no meu álbum e ela disse que sim", contou.

Bárbara Tinoco é a compositora que Deslandes mais aprecia e admira, como garantiu, afirmando que seria "pretensioso" da sua parte considerar que "fez escola", relativamente às diferentes cantautores que têm surgido na cena musical nacional, admitindo que está "mais próxima [de Bárbara Tinoco] por uma questão geracional".

"Antes de mim tive a Mafalda Veiga e a Luísa Sobral", lembrou.

Carolina Deslandes declarou que se entrega a tudo o que compõe para si e não tem inibições, mas é diferente o processo quando compõe para outros intérpretes.

"Às vezes alguma coisa inspira-me, um filme, qualquer coisa, e eu começo a escrever, mas percebo que aquilo não é para a minha voz e penso em quem pode interpretar. Ligo-lhe, pergunto-lhe e mando, sem qualquer compromisso; pode dizer-me que sim ou que não".

Quando é convidada para escrever, vai a estúdio e fala com o intérprete, procura conhecer-lhe a sua história e o que quer dizer, e compõe.

"Se ele o vai gravar e cantar durante anos e anos, em espetáculos, é natural que tenha de gostar do que canta e que se identifique".

Carolina DEslandes tem agendados dois concertos, no dia 30 de novembro, na Altice Arena, em Lisboa, e no dia 7 de dezembro, na Super Bock Arena, no Porto.

Promete que vão ser "inacreditáveis" com "surpresas e novas canções", assim como alguns convidados - e não desvenda nomes.

Este é o quarto álbum de Deslandes, e surge depois de ter sido distinguida com o Globo de Ouro SIC/Caras para a Melhor Música com "Por Um Triz", tema da sua autoria que apresentou no Festival da Canção, no ano passado - o ano em que foi nomeada para os prémios Grammy Latinos, na categoria de Melhor Vídeo em Versão Longa com "Mulher".

Lisbonne, le 09 mars 2023 (Lusa) – L’auteure de chansons Carolina Deslandes a défini son nouvel album, « Caos », qui sortira vendredi, comme « honnête, authentique et en colère », dans une interview accordée à l’agence Lusa dans laquelle elle anticipe également le prochain album, « Calma », qui sera publié en octobre.

L’auteur-compositeur a déclaré que « 'Chaos' est un album dans lequel vous avez un peu des sons que vous vouliez aborder ». « Il y a une partie des paroles d’Amália [Rodrigues], il y a une chanson populaire qui est 'The Skirt of Carolina', mais ensuite des choses complètement différentes comme 'Therapy' ou 'Supermarket', qui ont à voir avec la musique que j’ai entendue dans mon adolescence, puis des choses à la voix et à la guitare. Il y a un grand mélange de genres et de sons. »

C’est « un bilan plus honnête et un peu plus triste, plus enragé », a-t-il déclaré. « Je lui ai donné ce nom, pour symboliser cette confusion. Si nous regardons de près, c’est un gâchis autorisé. C’est un disque très gratuit et très honnête, c’est tout. »

« Caos » se compose de 16 chansons, dans lesquelles le cantautora aborde les relations amoureuses, la vie quotidienne, mais aussi la situation de la femme, dans « The Skirt of Carolina ».

Deslandes a reconnu que cette chanson « est une protestation », soulignant que « c’est un changement de récit que nous entendons dans toutes les histoires, chansons populaires et pour enfants, dans lesquelles la femme porte des jupes, est demure, qu’elle doit faire attention, que quelque chose de mauvais peut lui arriver et doit être fermé à la maison, et c’est un changement de ce récit dans lequel Carolina ne porte plus de jupes, Vous portez un costume, vous n’avez pas à faire attention à quoi que ce soit, mais avec lui. »

« On entend dire que la femme doit être délicate, elle doit savoir coudre un ourlet, elle doit savoir cuisiner, que les hommes conquièrent par l’estomac, la femme « doit », « elle doit »... Et c’est à cause de ces 'vous devez' que lorsque je profite de ma liberté et que je ne fais rien d’offensant, les gens sont tous offensés par mon comportement.

La chanson, a-t-elle ajouté, « est une célébration de la liberté et de la liberté des femmes ».

La chanson « The Skirt of Carolina », pour le compositeur, « est cette célébration de la liberté de chacun et de la liberté de chacun ».

« Que serais-je, en 2023, avoir à demander la permission d’être exactement ce que je suis. Je respecte la loi, je ne dérange personne, je n’ai que des opinions et j’ai ma façon d’être et d’être », a-t-il déclaré.

L’album célèbre dix ans de « complicité » avec le musicien Agir, qui est l’un des producteurs, souligne Carolina Deslandes. L’autre est le musicien Jon.

Les chansons ont été écrites par Deslandes avec Feodor Bivol, Pedro Mourato et Diogo Clemente, entre autres auteurs.

L’album s’ouvre avec « Raiva » et comprend, entre autres thèmes, « Dis-moi », « Je t’aimais », « Me déteste », « Précipice », qu’il interprète avec Carlão, et « Coisas no Silêncio », qu’il a composé et interprété avec Barbara Tinoco.

« Carlão et Bárbara Tinoco sont venus donner encore plus d’âme à un disque auquel j’ai tout donné », a déclaré Deslandes à Lusa.

La compositrice a déclaré qu’elle avait invité Tinoco parce qu’elle aime et admire beaucoup son travail, et que cette chanson a été écrite comme s’il s’agissait d’une partie de tennis : « Barbara a fait le premier couplet, puis je l’ai fait, puis j’ai commencé le refrain et c’était comme ça. Nous nous sommes très bien compris et elle m’avait déjà invité à participer à son EP et nous avons dû nous réunir ; Je lui ai demandé si elle voulait participer à mon album et elle a dit oui », a-t-il déclaré.

Barbara Tinoco est la compositrice que Deslandes apprécie et admire le plus, comme elle l’a assuré, affirmant qu’il serait « prétentieux » de sa part de considérer qu’elle « a fait l’école », par rapport aux différentes chanteuses qui ont émergé sur la scène musicale nationale, admettant qu’elle est « plus proche [de Barbara Tinoco] pour une question générationnelle ».

« Avant moi, j’avais Mafalda Veiga et Luísa Sobral », se souvient-il.

Carolina Deslandes a déclaré qu’elle cède à tout ce qu’elle compose pour vous et qu’elle n’a aucune inhibition, mais le processus est différent lorsqu’elle compose pour d’autres interprètes.

Parfois, quelque chose m’inspire, un film, quelque chose, et je commence à écrire, mais je me rends compte que ce n’est pas pour ma voix et je pense à qui vous pouvez jouer. Je l’appelle, je lui demande et je l’envoie, sans aucun engagement ; Vous pouvez me dire oui ou non.

Lorsqu’elle est invitée à écrire, elle va au studio et parle à l’interprète, essaie de connaître son histoire et ce qu’elle veut dire, et compose.

« S’il doit l’enregistrer et la chanter pendant des années et des années, dans des spectacles, il est naturel qu’il aime ce qu’il chante et s’identifie. »

Carolina DEslandes a programmé deux concerts, le 30 novembre à l’Altice Arena de Lisbonne, et le 7 décembre, à la Super Bock Arena de Porto.

Promet qu’ils seront « incroyables » avec « des surprises et de nouvelles chansons », ainsi que certains invités - et ne dévoile pas de noms.

Il s’agit du quatrième album de Deslandes, qui vient après avoir reçu le prix SIC / Caras para de la meilleure musique Golden Globe Award de la meilleure musique avec « Por Um Triz », un thème qu’elle a interprété au Festival de la chanson l’année dernière - l’année où elle a été nominée pour les Latin Grammy Awards, dans la catégorie de la meilleure vidéo dans A Long Version avec « Mulher ».


Festival em Loulé cruza experiências de criadores de países lusófonos


Loulé, Faro, 09 mar 2023 (Lusa) - O Tanto Mar - Festival Internacional de Artes Performativas de Loulé vai "cruzar", de 23 a 27 de maio nesta cidade algarvia, experiências dos criadores dos países onde o português é a língua oficial.

"Um evento que agrega a história, a cultura e as experiências de países de língua oficial portuguesa, e que se pretende afirmar no calendário dos festivais de artes performativas quer a nível nacional quer internacional", sublinharam os organizadores em comunicado.

Grupos de Portugal, Cabo Verde, Moçambique e Brasil vão ser os cabeças de cartaz da edição deste ano do Tanto Mar.

A abertura do festival terá lugar a 23 de maio no "icónico" Café Calcinha, em Loulé, com a presença de entidades oficiais, organizadores, grupos participantes, convidados e público.

Os espetáculos terão lugar, sempre às 21:00, a partir do dia seguinte no Cineteatro Louletano, na cidade algarvia "que ambiciona ser, a médio/longo prazo, o palco europeu privilegiado das Artes Performativas e o espaço físico para um futuro arquivo do espólio documental de todo o trabalho realizado até chegar ao público (cartazes, livros, programas e audiovisual)".

Segundo os organizadores, na quarta edição do Tanto Mar, convida-se o público "a refletir e a vivenciar a criação artística", através dos espetáculos previstos.

A associação UMCOLETIVO, de Elvas/Portalegre, apresenta a 24 de maio o "Quarto Império", um espetáculo que tem por base o livro "Caderno de Memórias Coloniais", de Isabela Figueiredo, "uma obra literária e um documento que compilou factos, acontecimentos efetivamente ocorridos e presenciados".

"Os dias de Birgitt", da Sikinada - Companhia de Teatro, da Praia (Cabo Verde) vai contar, em 25 de maio, a história de uma mulher que, de um dia para o outro, é confrontada com uma doença terminal que a faz repensar toda a sua vida.

No dia seguinte entra em cena "Recados de lá_Revisitação", do grupo Lareira Artes, de Maputo (Moçambique), onde, através das vivências de dois homens num abrigo com fugitivos de guerra, futuros migrantes em busca de condições de vida dignas e que tantas vezes encontram a morte.

Finalmente, a 27 de maio, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz_Porto Alegre (Brasil) apresenta "M.E.D.E.I.A", onde uma das "mais poderosas" mulheres da mitologia grega é acusada de várias atrocidades, tais como o fratricídio, o infanticídio, e "é esta imagem que foi imposta à consciência ocidental" que o grupo vai negar.

O festival é organizado pela folha de medronho, uma associação que tem como fim "a promoção e divulgação de atividades culturais, nomeadamente a formação e criação das artes performativas e de outras artes relacionadas como a música, literatura e artes plásticas".





Festival à Loulé croise les expériences de créateurs des pays lusophones


Loulé, Faro, 09 mar 2023 (Lusa) - Le Tanto Mar - Festival International des Arts du Spectacle de Loulé « traversera », du 23 au 27 mai dans cette ville de l’Algarve, les expériences des créateurs des pays où le portugais est la langue officielle.

« Un événement qui rassemble l’histoire, la culture et les expériences des pays lusophones, et qui est destiné à être affirmé dans le calendrier des festivals des arts de la scène à la fois au niveau national et international », ont déclaré les organisateurs dans un communiqué.

Des groupes du Portugal, du Cap-Vert, du Mozambique et du Brésil seront les têtes d’affiche de l’édition de Tanto Mar de cette année.

L’ouverture du festival aura lieu le 23 mai au « emblématique » Café Calcinha, à Loulé, en présence des entités officielles, des organisateurs, des groupes participants, des invités et du public.

Les spectacles auront lieu, toujours à 21h00, à partir du lendemain au cineteatro Louletano, dans la ville de l’Algarve « qui vise à être, à moyen / long terme, la scène européenne privilégiée des arts de la scène et l’espace physique pour une future archive du patrimoine documentaire de tout le travail effectué jusqu’à atteindre le public (affiches, livres, programmes et audiovisuel) ».

Selon les organisateurs, dans la quatrième édition de Tanto Mar, le public est invité « à réfléchir et à expérimenter la création artistique », à travers les spectacles prévus.

L’association UMCOLETIVO, d’Elvas/Portalegre, présente le 24 mai le « Quatrième Empire », un spectacle basé sur le livre « Caderno de Memórias Coloniais », d’Isabela Figueiredo, « une œuvre littéraire et un document qui compile des faits, des événements réellement survenus et témoignés ».

« Les jours de Birgitt », de Sikinada - Companhia de Teatro, praia (Cap-Vert) racontera, le 25 mai, l’histoire d’une femme qui, du jour au lendemain, est confrontée à une maladie en phase terminale qui la fait repenser toute sa vie.

Le lendemain entre en scène « Recados de lá_Revisitação », du groupe Lareira Artes, de Maputo (Mozambique), où, à travers les expériences de deux hommes dans un refuge avec des fugitifs de guerre, futurs migrants à la recherche de conditions de vie décentes et qui trouvent si souvent la mort.

Enfin, le 27 mai, la Tribu des Actionneurs Ói Nóis Aqui Traveiz_Porto Alegre (Brésil) présente « M.E.D.E.I.A », où l’une des femmes « les plus puissantes » de la mythologie grecque est accusée de diverses atrocités, telles que fratricide, infanticide, et « c’est cette image qui a été imposée à la conscience occidentale » que le groupe niera.

Le festival est organisé par folha de medronho, une association qui vise à « la promotion et la diffusion d’activités culturelles, à savoir la formation et la création d’arts du spectacle et d’autres arts connexes tels que la musique, la littérature et les beaux-arts ».



Músico Pedro Branco aborda diferentes perspetivas do amor num projeto CD-Livro 



Lisboa, 08 mar 2023 (Lusa) – O novo projeto do músico Pedro Branco, "Amor", é um CD e um livro, a editar sexta-feira, no qual aborda "as diferentes perspetivas do amor", com as canções gravadas sempre em duo, como disse à agência Lusa.

Pedro Branco disse que "não é um disco dramático, quis abordar o assunto [do amor] do ponto de vista luminoso e acho que consegui". Estas canções "revelam o lado mais leve do amor, até porque andamos todos um bocado cansados de peso".

Pedro Branco partilha a interpretação das canções, todas da sua autoria, sempre em duo, com 15 cantoras e um músico, o seu filho Diogo Branco.

As cantoras são Capicua, Ana Sofia Paiva, Marta Plantier, Amélia Muge, Sopa de Pedra, Catarina Wallenstein, Maria Anadon, Eliana Rosa, Ana Bacalhau, Rita Dias, Filipa Pais, Cláudia Andrade, Eliana Rosa, Uxia e Rita Matos Rocha.

Os arranjos musicais e a direção artística do álbum são de Gonçalo Alegre.

Referindo-se ao livro, Pedro Branco disse que "é uma parte substancial" deste projeto, com textos seus e de outras pessoas que convidou, como Marisa Liz que "fala do seu amor à música".

O livro de 80 páginas inclui os poemas das canções, a apresentação da equipa – os músicos, arranjadores, técnicos – e textos de autores como João Carlos Calixto, Maria João Cunha, Joana Ganho, Catarina Aidos e a prima do músico, Clara Costa, entre outros.

O facto de ser um livro com um CD, "faz toda a diferença", disse Pedro Branco, realçando o "design fantástico", da responsabilidade de XIXAR'US Creative Agency, e as ilustrações de Pedro Sousa Pereira e Estela Alvarez.

"De certa forma quis complementar com os textos as diferentes abordagens ao amor, à música, e que podiam não estar claras nas canções", disse.

Sobre as intérpretes sublinhou o prazer em trabalhar com elas. "Conhecia a maioria, e as que se dispuseram a trabalhar comigo, como a Capicua e a Ana Bacalhau, as únicas com quem não tinha ainda trabalhado. Basicamente, quis rodear-me de pessoas de quem eu gosto".

A única exceção é a participação do seu filho, Diogo Branco, "um acaso", e com quem partilha a canção que fecha o álbum, "Sempre Refeito".

"O arranjo dessa canção é do Marco Oliveira, a ideia inicial era fazer 15 canções com parcerias femininas e uma última que marcasse uma rutura, uma espécie de regresso à minha individualidade, e queria cantá-la sozinho (...) . Tem essa mensagem de que o amor nos refaz sempre".

O arranjo fez, porém, com que houvesse uma sobreposição com o coro, e quem fez o coro no disco todo foi o seu filho Diogo. Poratanto, quando ouviu o refrão cantado por ele, disse que ia ficar só ele.

"Não vou cantar refrão nenhum, pois está divinal, e, curiosamente, esta tinha sido uma canção que fiz para ele, em finais de 2012", prosseguiu Pedro Branco, afirmando que se juntou "uma série de coincidências".

Pedro Branco decidiu fazer este álbum, por terem insistido com ele. O seu anterior CD, "Contigo", saiu em 2018. "Era material mais antigo e eu componho muito, e fui levado um bocado a isso".

"Como estava a passar uma fase da minha vida ligada ao assunto [o amor], aquelas fases de transição que temos, resolvi então, montar um recital para piano e violoncelo, que é a primeira versão do disco", contou à Lusa.

O músico e compositor afirmou que "dificilmente apresentará ao vivo este CD tal e qual", tendo já agendado a sua apresentação para o dia 22 de abril, às 21:30, em Lisboa, no auditório da Escola Secundária Luís de Camões.

"O espetáculo há de ser parecido com o disco, estarão todos os músicos que participaram no disco", como Rui Meira, na guitarra, Gonçalo Alegre, no baixo elétrico e contrabaixo, Catarina Anacleto, no violoncelo, Francisco Pereira, na guitarra portuguesa, Iúri Oliveira, na percussão, e Kent Queener, no piano. Mas "não estarão as vozes todas".

"Será um recital sobre as várias 'nuances' do amor, homem/homem, mulher/mulher, homem/mulher, amor de mãe, vários tipos de amor que também quis retratar no livro", disse.

Filho do músico e compositor José Mário Branco e da programadora cultural Isabel Alves Costa, Pedro Branco afirmou ter "muito orgulho de ter este percurso e estas influências".

"De facto nota-se mesmo, não sou só eu que o digo, muita gente também o diz, e nota-se na forma como eu componho, como eu toco, como eu escrevo, nota-se que existem essas influências. Para mim isso é um orgulho enorme, pois é um paradigma ético de que eu não prescindo".

Ao mesmo tempo, porém, para Pedro Branco "é uma responsabilidade", afirmou, referindo-se a "um paradigma de intervenção musical e artístico completamente diferente" de seu pai. "Ele tinha o seu caminho e eu tenho o meu. O caminho dele era profissional, o meu é amador. Só aí faz toda a diferença. Mas sim, é algo de que me orgulho bastante".

Pedro Branco referiu que "para um músico, em Portugal, fazer um CD é cada vez mais difícil". "Sobretudo para um músico que não é profissional, ou não é conhecido. Tenho a sorte de ter a editora Tradisom que apoia os meus projetos e que coparticipa".

"Tive de pagar para fazer este disco", prosseguiu o músico, referindo que teve de procurar apoios, nomeadamente da Sociedade Portuguesa de Autores, do Sindicato dos Professores, do Externato Mendes Pinto, onde leciona, e da Câmara do Cadaval.

"A única pessoa que não recebeu um tostão com isto fui eu (...). Mas este disco vale muito pelo seu objeto, que é fantástico e que dá uma dimensão muito grande ao trabalho. Espero que seja uma mais valia".



Le musicien Pedro Branco aborde différentes perspectives de l’amour dans un projet CD-Livro 



Lisboa, 08 mar 2023 (Lusa) – Le nouveau projet du musicien Pedro Branco, « Amor », est un CD et un livre, à éditer vendredi, dans lequel il aborde « les différentes perspectives de l’amour », avec des chansons toujours enregistrées en duo, comme il l’a dit à l’agence Lusa

Pedro Branco a déclaré que « ce n’est pas un disque dramatique, je voulais aborder le sujet [de l’amour] d’un point de vue lumineux et je pense que je l’ai fait. » Ces chansons « révèlent le côté plus léger de l’amour, notamment parce que nous sommes tous un peu fatigués du poids ».

Pedro Branco partage l’interprétation des chansons, toutes les siennes, toujours en duo, avec 15 chanteurs et un musicien, son fils Diogo Branco.

Les chanteuses sont Capicua, Ana Sofia Paiva, Marta Plantier, Amélia Muge, Sopa de Pedra, Catarina Wallenstein, Maria Anadon, Eliana Rosa, Ana Bacalhau, Rita Dias, Filipa Pais, Cláudia Andrade, Eliana Rosa, Uxia et Rita Matos Rocha.

Les arrangements musicaux et la direction artistique de l’album sont de Gonçalo Alegre.

Se référant au livre, Pedro Branco a déclaré que « c’est une partie substantielle » de ce projet, avec des textes de vous et d’autres que vous avez invités, comme Marisa Liz qui « parle de son amour de la musique ».

Le livre de 80 pages comprend les poèmes des chansons, la présentation de l’équipe – les musiciens, les arrangeurs, les techniciens – et des textes d’auteurs tels que João Carlos Calixto, Maria João Cunha, Joana Ganho, Catarina Aidos et la cousine du musicien, Clara Costa, entre autres.

Le fait qu’il s’agisse d’un livre avec un CD, « fait toute la différence », a déclaré Pedro Branco, soulignant le « design fantastique », la responsabilité de XIXAR’US Creative Agency, et les illustrations de Pedro Sousa Pereira et Estela Alvarez.

« D’une certaine manière, je voulais compléter avec les textes les différentes approches de l’amour, de la musique, et cela pourrait ne pas être clair dans les chansons », a-t-il déclaré.

A propos des interprètes ont souligné le plaisir de travailler avec eux. « Je connaissais la plupart d’entre eux, et ceux qui étaient prêts à travailler avec moi, comme Capicua et Ana Bacalhau, les seuls avec qui je n’avais pas encore travaillé. En gros, je voulais m’entourer de gens qui me tiennent à cœur. »

La seule exception est la participation de son fils, Diogo Branco, « une chance », et avec qui il partage la chanson qui clôt l’album, « Sempre Refeito ».

« L’arrangement de cette chanson est de Marco Oliveira, l’idée initiale était de faire 15 chansons avec des partenariats féminins et une dernière qui marquerait une rupture, une sorte de retour à mon individualité, et je voulais la chanter seule (...) . Il y a ce message que l’amour nous fait toujours refaire. »

L’arrangement, cependant, a causé un chevauchement avec le chœur, et celui qui a fait le chœur sur l’ensemble du disque était son fils Diogo. Alors, quand il a entendu le refrain chanté par lui, il a dit qu’il allait être seul.

« Je ne vais pas chanter de refrain, parce que c’est divin, et curieusement, c’est une chanson que j’ai faite pour lui fin 2012 », a poursuivi Pedro Branco, affirmant qu’il avait rejoint « une série de coïncidences ».

Pedro Branco a décidé de faire cet album parce qu’ils insistaient dessus. Son précédent CD, « Contigo », est sorti en 2018. « C’était du matériel plus ancien et j’écris beaucoup, et j’ai été un peu emmené par lui. »

« Alors que je traversais une phase de ma vie liée au sujet [l’amour], ces phases de transition que nous avons, j’ai décidé de préparer un récital pour piano et violoncelle, qui est la première version de l’album », a-t-il déclaré à Lusa.

Le musicien et compositeur a déclaré qu’il « ne présentera pas ce CD en live comme ça », ayant déjà programmé sa présentation pour le 22 avril, à 21h30, à Lisbonne, dans l’auditorium de l’école secondaire Luís de Camões.

« Le spectacle sera similaire au disque, sera tous les musiciens qui ont participé à l’album », comme Rui Meira, à la guitare, Gonçalo Alegre, à la basse électrique et à la basse, Catarina Anacleto, au violoncelle, Francisco Pereira, à la guitare portugaise, Iúri Oliveira, aux percussions, et Kent Queener, au piano. Mais « il n’y aura pas toutes les voix ».

« Ce sera un récital sur les différentes 'nuances' de l’amour, homme / homme, femme / femme, homme / femme, amour de mère, différents types d’amour que je voulais également dépeindre dans le livre », a-t-elle déclaré.

Fils du musicien et compositeur José Mário Branco et de la programmatrice culturelle Isabel Alves Costa, Pedro Branco s’est dit « très fier d’avoir ce voyage et ces influences ».

En fait, ce n’est pas seulement moi qui dis-le, beaucoup de gens dis-le aussi, et c’est noté dans la façon dont je compose, comment je joue, comme j’écris, il est noté qu’il y a ces influences. Pour moi, c’est une grande fierté, car c’est un paradigme éthique dont je ne me passe pas. »

Dans le même temps, cependant, pour Pedro Branco « c’est une responsabilité », a-t-il déclaré, faisant référence à « un paradigme d’intervention musicale et artistique complètement différent » de son père. « Il a eu ce qu’il voulait et j’ai eu le mien. Son parcours a été professionnel, le mien est amateur. Cela fait toute la différence. Mais oui, c’est quelque chose dont je suis très fier. »

Pedro Branco a déclaré que « pour un musicien au Portugal, faire un CD est de plus en plus difficile ». « Surtout pour un musicien qui n’est pas professionnel, ou qui n’est pas connu. J’ai la chance d’avoir l’éditeur Tradisom qui soutient mes projets et qui y participe. »

« J’ai dû payer pour faire ce disque », a poursuivi le musicien, évoquant le fait d’avoir dû chercher du soutien, notamment auprès de la Société portugaise des auteurs, du syndicat des enseignants, de l’Externato Mendes Pinto, où il enseigne, et de la Chambre Cadaval.

« La seule personne qui n’a pas reçu une somme d’appel de cela, c’était moi (...). Mais ce disque vaut beaucoup pour son objet, qui est fantastique et qui donne une très grande dimension à l’œuvre. J’espère que c’est un atout.


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